PRP (Plasma Rico em Plaquetas)

PRP (Plasma Rico em Plaquetas) é definido como “um volume de plasma que tem uma contagem de plaquetas acima do basal”.

Esta técnica utiliza as Plaquetas, contidas no sangue periférico, para estimular o processo de cicatrização de um tecido lesado (ex. Lesão da cartilagem articular, Tendinopatias, Osteoartrose, entre outros).

O processo começa com a obtenção das plaquetas do sangue periférico, seguido pela concentração destas, para 5 a 10 X o valor basal.

As plaquetas possuem centenas de proteínas modificadoras e milhares de proteínas baseadas em fatores bioativos capazes de armazenar proteínas com efeitos antibacterianos e fungicidas. Possui também fatores de crescimento, citocinas e quimiocinas, que atuam na fase inflamatória  da cicatrização, necessária no processo de reparo ou regeneração tecidual.

Os fatores de crescimento mais importantes contidos no PRP são: fator de crescimento de transformação-beta (TGF-β – transforming growth factor-beta), fator de crescimento derivado de plaquetas (PDGF – platelet derived growth factor), fator de crescimento de fibroblastos básico (bFGF – basic fibroblast growth factor), fator de crescimento derivado de insulina do tipo I (IGF-I – insulin like growth factor-I), fator de crescimento endotelial vascular (VEGF – vascular endotelial growth factor) e fator de crescimento epidérmico (EGF – epidermal growth factor).

Vale informar que os fatores de crescimento liberados pelas plaquetas são, a base de todo tratamento, pois sinalizam para que células com função de reparo e cicatrização cheguem ao local lesionado iniciando o processo de cicatrização. Chamamos de “Efeito parácrino“.

O uso dos fatores de crescimento autólogos (provenientes das plaquetas) na medicina trouxe uma revolução no tratamento das lesões musculoesqueléticas, pois antes o objetivo era aliviar a dor do paciente com o uso de anti-inflamatórios e corticoides (quais possuem sérios efeitos colaterais) e agora nosso objetivo é a cicatrização da lesão.

Outros efeitos dos fatores de crescimento são: reforço anabólico, remodelação óssea, proliferação, a remodelagem vascular, angiogênese, coagulação, inflamação e diferenciação celular.

Muitas lesões não possuem capacidade para cicatrização intrínseca por deficiência de vascularização do tecido (ex. Tendinopatias, lesões da cartilagem articular e processos degenerativos como Artrose) e este método oferta expectativas com excelentes resultados descrito pela literatura médica nível 1 de evidência.

No Brasil, em 2016, Lana (diretor do grupo IOC – onde faço parte) e colaboradores publicaram um artigo de evidência I, comparando diferentes grupos de tratamento da Osteoartrose do joelho. Em seu estudo, foi comparado o uso de PRP, ácido hialurônico (AH) e a combinação dos dois (PRP + AH) em 105 pacientes. Verificou-se que o uso autólogo do PRP, isto é do próprio paciente, é efetivo para osteoartrite leve a moderada. A combinação dos dois tratamentos (AH+PRP) resultou em melhores resultados quando comparado ao uso do ácido sozinho pelo período de um ano.

Hoje, o PRP tem sido considerado um método de tratamento coadjuvante, ou seja, associado a enxertos autólogos e biológicos, aumentando a eficácia dos resultados.

Compartilhe este post.